antes de ler esqueça as letras



quarta-feira, 13 de abril de 2011

SUJEITO

Eu já quis ser esquecimento.
Sendo assim ninguém me atingiria de lembranças.

Hoje
 só
 me
 lembro,
 o que esqueci.

domingo, 10 de abril de 2011

APANHADOR

Eu adorava guardar poemas no fôlego de minha avó.
 Sempre buscava os prediletos no seu cangote. 
Ela muitas vezes confundia meus versos com suas receitas,
 e fazia bolos de poemas.
 Adorava ninar melodias na cadeira de balanço, 
e os pássaros por sua vez revisavam as canções.

Sempre gentil ao mundo, meu avô guardava nos bolsos dos paletós, poemas de esperança.
Dizia sempre.
 Que tudo um dia terminaria. Que só com o fim, o fim das coisas. A esperança nasceria.

Aprendi a publicar meus poemas,
 nas memórias inventadas, 
no restante 
instante de ser 
esperança.

domingo, 3 de abril de 2011

CORRER

Eu sempre consigo me deixar para trás, quando corro.
Junto o chão. Devoro as ondulações do terreno.
E alcanço lugares que nasceram pelos pés.

Usando-me  das imperfeições dos caminhos, aperfeiçou minha vida.
E consigo sim, ser mais rápido que o mundo.

Eu distribuo bem, meus pés nas pistas.
E só assim, atinjo com facilidade a solidão dos caminhos.

Ao correr descubro que os lugares nunca acabam.
 Que o fim de uma estrada 
pode ser o início, pra quem vem de lá.






terça-feira, 29 de março de 2011

PASSAGEIRO

Eu esperava o ônibus.
Ele nunca me esperou chegar.

As portas se abriam, 
para parada vazia.

Dando chance a quem?

Tudo 
estará
perdido,
eu 
acho.





domingo, 20 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

DESCOBRIMENTOS.

Olhar as costas das árvores.
(região próxima onde o vento se esconde)

Olhar os ombros dos peixes.
(região mais acentuada perto das costas e do coração)

Olhar o  pescoço das cobras.
(região perto do ouvido)

Olhar a cintura dos elefantes.
(região bem abaixo do estômago)

Olhar os cílios das formigas.
(mais vistos quando elas estão dormindo)






quinta-feira, 10 de março de 2011

AMANHÃ SENDO/ AMANHECER

Acordei mais cedo,
para acordar os pássaros,
 Tive pena!

Esperei parado passar o café,
despreguicei a janela ao abrir-la.
E já nela olhei para o céu.

Peguei o fruto do pé,
com as mãos.

Apaguei a luz no acendedor.

Desliguei a tv,
para te ver melhor !
...